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As notícias vindas do Brasil, que aqui inserimos de seguida,
demonstram que a apresentação do Projecto Igreja Segura-Igreja
Aberta em Março de 2009, em Ouro Preto, por ocasião e a convite do
‘IV Encontro do Ministério Público na Defesa do Património
Cultural’, causou impacto benéfico e catalizador de procedimentos
reais de protecção do património de arte sacra brasileiro.
Estamos todos de parabéns!
Mutirão para salvar
igrejas e bens
Ministério Público, Iepha, Iphan, arquidioceses e
bombeiros encabeçam força-tarefa que vai atuar em Minas
na conservação e proteção de templos religiosos e
imagens
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Emmanuel Pinheiro/EM/D.A
Press
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Capela
de Nossa Senhora da Lapa, em
Ravena, distrito de Sabará, que
precisa de cuidados, é uma das
quatro escolhidas para o início
do trabalho |
Minas Gerais faz um pacto inédito pela
conservação e proteção do seu patrimônio
religioso. Uma força-tarefa, formada por
vários órgãos responsáveis pela
preservação da cultura mineira, vai
coordenar a implantação de um projeto de
segurança nas igrejas, com o objetivo de
evitar a degradação das construções e os
furtos e roubos de imagens e objetos
sacros. A iniciativa será testada em
quatro igrejas, todas incluídas no livro
do tombo: Capela Nossa Senhora do
Rosário, em Santa Rita Durão, distrito
de Mariana, na Região Central; Capela
Nossa Senhora do Rosário de Quinta do
Sumidouro, em Fidalgo, vilarejo de Pedro
Leopoldo, na Região Metropolitana de
Belo Horizonte; Santuário Bom Jesus do
Matozinhos, em Piranga, na Zona da Mata;
e Capela de Nossa Senhora da Lapa, em
Ravena, distrito de Sabará, também na
Grande BH. Entre os critérios adotados
na seleção estão as condições das
construções, como a de Ravena, em
processo de ruína, e o histórico de
desaparecimento de peças.
O modelo foi inspirado no projeto Igreja
segura, igreja aberta, criado pelo
Instituto de Polícia Judiciária e
Ciências Criminais de Portugal. No país
europeu, a situação é parecida com a de
Minas: um grande acervo de imagens e
objetos sacros e muitos casos de furtos,
o que levou ao fechamento de templos. A
proposta está sendo debatida pela
Promotoria Estadual de Defesa do
Patrimônio Cultural e Turístico de Minas
Gerais e representantes das
arquidioceses de Mariana e de Belo
Horizonte, do Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (Iphan),
do Instituto Estadual do Patrimônio
Histórico e Artístico (Iepha), do
Conselho Regional de Engenharia e
Arquitetura (Crea), das secretarias
estaduais de Cultura e de Defesa Social
e do Corpo de Bombeiros.
De acordo com o coordenador da
Promotoria de Defesa do Patrimônio,
Marcos Paulo de Souza Miranda, a
interação entre os grupos é fundamental:
“É uma engrenagem cuja participação de
todos é decisiva para o funcionamento do
sistema. E o estado não pode assumir
sozinho. É preciso a integração entre
poder público, igrejas e sociedade”,
diz. Ele destacou a necessidade de a
Igreja assumir seu papel de
corresponsável pela proteção do
patrimônio cultural sob sua guarda,
adotando uma posição mais ativa.
O próximo passo do trabalho é o
diagnóstico detalhado da situação das
igrejas escolhidas. Nele, constará
informações sobre a estrutura das
construções e equipamentos. A partir
desse estudo, será traçado um cronograma
de ações. O promotor pedirá, ainda nesta
semana, o diagnóstico aos técnicos do
Ministério Público e aos bombeiros. O
documento deve ser concluído em 30 dias.
Além do sistema de segurança (câmeras e
alarmes), serão instalados nas igrejas
aparelhos de combate e prevenção a
incêndio (os bombeiros ensinarão a
comunidade a usá-los) e feito o
inventário com fotos e informações das
dimensões de todas as peças para
facilitar a recuperação e a
identificação da origem em caso de
furto.
Marcos Paulo de Souza acredita nos
primeiros resultados – instalação de
equipamentos e sensibilização e
mobilização dos moradores – em até um
ano e meio. “O programa não resolve o
problema dos bens. Pretendemos mostrar o
caminho e ressaltar que, quando os
atores estão comprometidos, há solução.
Queremos ainda criar rotinas de trabalho
que sirvam de exemplo a outras
comunidades que passam por situação
semelhante”, afirma. Os dados do MP
mostram um número preocupante: Minas já
perdeu 60% de seu patrimônio sacro.
Atualmente, 666 peças estão
desaparecidas e, dessas, há fotos de
aproximadamente 300, o que diminui as
chances de recuperação.
A gerente de Ação Preventiva do Iepha,
Alessandra Deotti, está otimista com a
parceria. “Um órgão sozinho não resolve
tudo. É preciso uma soma de esforços
para melhorar o quadro. Historicamente,
o Iepha e o Iphan sempre investiram na
preservação, enquanto as igrejas e as
comunidades ficavam à margem dos
trabalhos”, relata. O arquiteto Rafael
Arrelaro, do Iphan, acredita que, a
médio prazo, a medida poderá ser
estendida a outros estados: “A partir
dos resultados obtidos será possível
observar o que deve ser revisto e
aprimorado e, provavelmente, eles serão
foco de uma discussão nacional. Novas
ações e um trabalho preventivo são muito
importantes. Qualquer intervenção no bem
se reflete na integridade dele. Por
outro lado, é preciso cuidar do
patrimônio das igrejas e correr atrás do
que foi desviado”, afirma.
O assessor jurídico da Arquidiocese de
Mariana, Geraldo Alex Miranda Bailão,
diz que a Cúria tem se empenhado na
preservação dos bens, com restaurações,
reformas e instalação de aparelhos de
combate a incêndio. “Praticamente, todas
as nossas igrejas têm proteção e sistema
de alarme, dentro das possibilidade
financeiras da comunidade. É preciso
criar um diálogo com a participação de
todas as entidades, porque patrimônio é
de todo mundo quando está bem e é
bastante visitado, mas do contrário,
apenas a Arquidiocese é dona”, diz. Ele
ressalta que a Cúria da cidade histórica
tem 70% dos bens tombados em Minas e
cobra parcerias e recursos, inclusive do
poder público municipal. O advogado
aposta nos resultados positivos do
programa: “Dará bons frutos porque não
depende de grandes aportes financeiros,
mas da sensibilização de quem vive no
entorno e de quem cuida das igrejas. O
envolvimento da comunidade é o centro do
projeto, que deve reconhecer o bem como
dela.”
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Projeto português inspira
ação em MG
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Beto Novaes/EM/D.A Press
%u2013 13/3/09
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Museóloga
Leonor Sá diz que furto fere
identidade da comunidade |
Seis anos de trabalho e 20% na redução
dos casos de furtos de peças sacras.
Esse é o resultado do projeto Igreja
segura, igreja aberta, em Portugal,
inspirador do programa de segurança que
será implantado nos templos de Minas
Gerais. No país europeu, a ação foi
criada em 2003, pelo Instituto Superior
de Polícia Judiciária e Ciências
Criminais, por meio do Museu e Arquivos
Históricos de Polícia Judiciária, em
parceria com várias entidades públicas e
privadas. O objetivo é reverter um
triste quadro: a falta de segurança
levou muitas edificações religiosas a
fechar as portas por causa dos roubos,
privando moradores e visitantes de
admirar a arte produzida em anos de
história. O instituto estima que 75% de
todo o patrimônio cultural português
esteja sob a guarda da Igreja.
A mobilização da comunidade começou com
a montagem, ainda em 2003, de uma
exposição itinerante e multimídia de uma
coleção de arte sacra recuperada e em
poder da Polícia Judiciária, sem origem
e identificação. A iniciativa foi um dos
eixos adotados para sensibilizar as
comunidades a identificar seus bens. O
segundo ponto foi a apresentação de boas
práticas de conservação e segurança, a
partir das igrejas-piloto presentes em
14 das 20 dioceses portuguesas. O último
eixo foi a formação e treinamento de
quem trabalha nos templos católicos,
como vigilantes e zeladores.
Medidas simples, como a proibição de
fotografar as peças, implantar sistemas
de segurança e melhorar o controle sobre
as chaves foram fundamentais para o
andamento dos trabalhos. As chaves da
igreja devem estar nas mãos de um único
responsável (o pároco ou paroquiano por
ele nomeado) e o encarregado da missão
deve elaborar um registro de todos os
exemplares existentes e a quem estão
entregues. Inventariar bens culturais,
como vem sendo feito em Minas, é outros
aspecto essencial para se avaliar a
dimensão e localização dos objetos,
assim como cuidar dos acessos (portas e
janelas) e dotá-los de trancas,
fechaduras resistentes e de qualidade.
Em Portugal, para participar do projeto,
as igrejas devem se comprometer a seguir
os procedimentos e instruções dos
manuais do programa, tanto na questão da
segurança como da conservação. Em
entrevista ao Estado de Minas, durante o
Encontro Nacional do Ministério Público
em Defesa do Patrimônio Cultural,
ocorrido em março, em Ouro Preto, na
Região Central do estado, a museóloga
Leonor Sá falou da contribuição que seu
país pode dar ao Brasil e destacou que,
ao furtar imagens, “o ladrão leva algo
mais vasto e abrangente do que peças com
valor comercial. Na verdade, ele está
carregando os valores espirituais e
afetivos da comunidade”.
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